sábado, 25 de abril de 2009

A Natividade de Cristo

A Natividade de Cristo

O Grande Mistério Da Piedade

Bispo Alexander (Mileant).

Traduzido por Olga Dandolo

Conteúdo:

O Acontecimento da Natividade de Cristo. A Adoração dos Magos. O Filho de Deus E o Filho do Homem. A Finalidade da Encarnação do Filho de Deus. Ofícios Divinos na Natividade de Cristo. Troparion: Kondaquion: Zadostoinik: Canone da Natividade. Na Noite de Natal

Na história da humanidade não existe acontecimento maior e mais radiante do que a encarnação e a vinda ao mundo do Filho de Deus. Esta é a obra do infinito amor de Deus Pai, Quem "amou tanto o mundo, que entregou Seu Filho, para que todo crente Nele não sucumbisse, e sim tivesse vida eterna."

A encarnação do Filho de Deus através da Virgem Maria, modificou o mundo para melhor e de modo radical: proporcionou aos homens uma nova maneira de pensar, enobreceu seus princípios morais, dirigiu os acontecimentos do mundo para um novo rumo. Trouxe força para as pessoas lutarem contra o pecado, reconciliou os homens com Deus, perfilhou as pessoas ao Pai e fez renascer toda sua natureza. Derramou um jacto da vida Divina no organismo deteriorado dos homens e com isto trouxe-lhes a vida eterna. Por estes motivos a encarnação do Filho de Deus encontra-se no centro dos acontecimentos mundiais e dela é avaliada a cronologia – antes e depois da Natividade de Cristo. A celebração da Natividade de Cristo tornou-se a festa mais radiante da humanidade crente.

No presente artigo estaremos relatando os acontecimentos ligados à Natividade de Cristo, conversaremos sobre o significado espiritual desse acontecimento e no final iremos nos deter nos principais momentos do divino ofício natalino.

O Acontecimento da Natividade de Cristo.

Antes do nascimento de Jesus Cristo havia uma expectativa geral pelo Salvador. Os judeus aguardavam Sua chegada, baseados nas profecias; os pagãos estando em desgraça pela descrença e depravação geral do caráter, também aguardavam com impaciência pelo Libertador. Todas as profecias referentes aos tempos da encarnação do Filho de Deus foram cumpridas. O Patriarca Jacó profetizou, que o Salvador virá quando o cetro se apartar de Judá (Gen. 49:10). O profeta Daniel profetizou, que o Reino do Messias chegará nas setenta semanas (490 anos) após a declaração do decreto sobre a restauração de Jerusalém, no período do poderoso reino pagão, o qual será tão forte quanto o ferro (Dan. 9:24-27).

E de fato, ao final das setenta semanas de Daniel, a Judéia ficou sob o domínio do potente império Romano e o cetro passou de Judá para Herodes, pela origem. Veio o tempo de Cristo chegar. As pessoas, tendo se afastado de Deus, começaram a divinizar os bens terrestres, as riquezas e glórias do mundo. O Filho de Deus rejeitou esses ídolos insignificantes assim como o fruto do pecado e impetuosidades humanas e achou por bem vir ao mundo nas mais modestas condições.

Os acontecimentos da Natividade são descritos por dois evangelistas – o apóstolo Mateus (dos 12) e Lucas (dos 70 discípulos). Visto que o evangelista Mateus escreveu seu Evangelho para os hebreus, ele colocou para si o objetivo de provar, que o Messias descende dos antepassados de Abraão e do rei Davi, conforme foi profetizado pelos profetas. Por isso o evangelista Mateus inicia sua narrativa sobre a Natividade de Cristo com a genealogia (Mat. 1:1-17).

Sabendo que Jesus não era filho de José, o evangelista não diz que José gerou, mas sim, que Jacó gerou José, o marido de Maria de Quem nasceu Jesus, chamado de Cristo. Mas por que então ele cita a genealogia de José, e não a de Maria? Acontece que os hebreus não tinham o costuma de conduzir a genealogia pela linha feminina. A lei deles ordenava que o homem tomasse infalivelmente uma esposa da mesma descendência a que ele pertencesse. Por esta razão o evangelista não se desviando do costume, cita a genealogia de José, mostrando que Maria – é a esposa de José, e, conseqüentemente também nascido Dela descendem do mesmo clã de Judá e ancestrais de Davi.

Tendo sido informada pelo Arcanjo Gabriel de que Ela foi escolhida para ser a Mãe do Messias, a Virgem Santíssima que se casara recentemente com José, partiu ao encontro de Elizabeth. Já se passavam quase três meses da boa nova do Anjo. José que não havia sido iniciado neste mistério, notou Seu estado; Sua aparência externa podia ser pretexto para o pensamento da infidelidade Dela; ele poderia acusá-La publicamente e submete-La a uma severa punição, instituída pela lei de Moisés, mas por sua bondade, não quis tomar medidas tão drásticas. Após longos vacilos, ele decidiu deixar sua esposa ir embora secretamente, não fazendo nenhum alarde, entregando-Lhe uma carta de separação.

Porém um Anjo apareceu-lhe em sonho e anunciou que a noiva que o esposou iria ter um filho por obra do Espírito Santo, e que ao Filho que Ela daria a luz seria dado o nome de Jesus (Ieshua), ou seja, Salvador, pois, Ele irá salvar Seu povo dos seus pecados. Por isso "não temas tomar Maria por tua esposa!" – José reconheceu este sonho como inspiração do alto, obedeceu e aceitou Maria por esposa, porém "não A conheceu," ou seja, viveu com Ela não como marido e mulher, e sim como irmão e irmã, ou antes, julgando a enorme diferença de idade, como pai e filha. Narrando a esse respeito, o evangelista acrescentou por si mesmo: "por isto, o próprio Senhor vos dará um sinal: uma Virgem conceberá e dará à luz um Filho, e O chamará Emanuel" (Isa. 7:14). O nome "Emanuel" significa "Deus conosco." Aqui Isaías não está chamando Aquele que nasceu da Virgem de Emanuel: ele diz que Ele será chamado assim pelas pessoas. Este não é propriamente o nome Do Nascido da Virgem, mas apenas a indicação profética para o fato de que, na face Dele estará Deus.

O Santo evangelista Lucas anota que o tempo da Natividade de Cristo coincidiu com o censo dos habitantes do império Romano, o qual foi realizado conforme o comando de César Augusto, isto é, o imperador romano Otaviano, que recebeu do senado o título de Augusto – "sagrado." O edital sobre o censo foi publicado no ano 746 da fundação de Roma, mas na Judéia o censo começou aproximadamente em 750, nos últimos anos do reinado de Herodes, chamado o grande.

Os hebreus avaliavam sua genealogia de acordo com a descendência e origem. Esse costume era tão forte, que tendo tido conhecimento das ordens de Augusto, eles foram se inscrever cada um na cidade de sua origem. José e a Virgem Maria descendiam, como é sabido, da geração de Davi. Por isso eles tiveram que partir para Belém, chamada cidade de Davi, pois foi ali que ele nasceu.

Assim, pela Providência de Deus, cumpriu-se a antiga profecia do profeta Miquéias, de que Cristo nasceria precisamente em Belém: "Mas tu Belém – Efrata, tão pequena entre os clãs de Judá, é de ti que sairá para Mim Aquele que é chamado a governar Israel. Suas origens remontam aos tempos antigos, aos dias do longínquo passado" (Miquéias 5:1; Mat. 2:6).

Pelas leis romanas, as mulheres em igualdade com os homens eram sujeitadas ao censo universal. Por esta razão José não foi sozinho a Belém para se inscrever; ele foi junto com a Virgem Maria. A jornada inesperada à sua Belém nativa, e além disso, a proximidade do nascimento da Criança, deveriam convencer José de que o decreto de César era uma arma nas mãos da Providência, direcionando para que o Filho de Maria nascesse precisamente ali, onde deveria nascer o Messias Salvador.

Depois da exaustiva jornada, o ancião José e a Virgem Maria chegaram a Belém. Não havia lugar na hospedaria para a futura Mãe do Salvador do mundo, e Ela então, juntamente com Seu companheiro, foi obrigada a se instalar em uma caverna para onde os pastores conduziam o gado quando o tempo estava ruim. Aqui, durante uma noite de inverno, na mais miserável condição, nasceu o Salvador do mundo – Cristo.

Tendo dado à luz ao Filho, a Virgem Santíssima sozinha O enfaixou e colocou na manjedoura. Com estas curtas palavras o evangelista informa que a mãe de Deus deu à luz sem dor. A expressão do evangelista "deu à luz ao Seu Filho primogênito" dá motivos para os incrédulos (e os hereges protestantes) dizerem que além de Jesus Primogênito, a Virgem Santíssima teve outros filhos, pois inclusive os evangelistas mencionam "os irmãos" de Cristo (Simão, Josias, Judas e Jacó). Mas é preciso lembrar de que pela lei de Moisés (13:2) toda criança do sexo masculino era chamada de "aquele que descerra as entranhas," ou seja, era chamado de primogênito mesmo sendo o último. Assim sendo, os "irmãos" de Jesus mencionados no Evangelho não eram Seus irmãos verdadeiros e sim apenas parentes, pois, eram os filhos de José e de sua primeira esposa Salomé, e também as crianças de Maria esposa de Cleophas, a qual o Evangelista João denomina de "irmã de Sua Mãe." Em todo caso, todos eles eram muito mais velhos do que Cristo e sendo assim, jamais poderiam se filhos da Virgem Maria.

Jesus Cristo nasceu de noite, quando todos, em Jerusalém e imediações, dormiam profundamente. Apenas os pastores não dormiam, pois, cuidavam do rebanho que lhes era confiado. A essas pessoas modestas, trabalhadoras e sobrecarregadas, um Anjo apareceu com a feliz notícia do nascimento do Salvador do mundo. A luz resplandecente que rodeava o Anjo em plena escuridão noturna, assustou os pastores. Mas o Anjo imediatamente os tranqüilizou dizendo: "não tenham medo! Eu lhes anuncio uma imensa alegria, a qual será para todas as pessoas: pois nasceu o Salvador na cidade de Davi, o Qual é o Cristo Senhor." Com estas palavras o Anjo fez entender o verdadeiro designio do Messias Que veio não sòmente para os hebreus, mas para todas as pessoas, pois "a alegria será para todos" aqueles que O aceitarem como Salvador.

O Anjo explicou aos pastores que eles encontrariam o Cristo Senhor nascido enrolado em faixas, deitado em uma manjedoura. Mas por que o Anjo não anunciou o nascimento de Cristo aos hebreus anciãos, aos escriturários e fariseus, e não os chamou também para venerarem a Criança Divina? Foi porque esses "líderes cegos dos cegos "deixaram de entender o verdadeiro significado das profecias sobre o Messias e devido ao seu orgulho, imaginavam que o Libertador prometido iria surgir em pleno esplendor de um majestoso rei-conquistador e subjugar o mundo inteiro. Um modesto pregador da paz e do amor aos seus inimigos lhes era inadmissível.

Os pastores não duvidaram de que o Anjo lhes fora enviado por Deus, e por esta razão foram dignos de ouvirem o triunfante hino celestial: "Glória a Deus nas alturas, e paz na terra, e boa vontade entre os homens!" Os Anjos glorificam a Deus, que enviou o Salvador para o mundo, pois a partir daí, a paz da consciência foi restaurada e foi eliminada a inimizade entre o Céu e a terra, que surgiu em consequência do pecado.

Os Anjos se afastaram, e os pastores apressadamente partiram para Belém, encontraram a Criança deitada numa manjedoura, e foram os primeiros a venera-La. Eles contaram a Maria e a José sobre o acontecimento que os trouxe ao berço de Cristo; contaram o mesmo também a outras pessoas, e todos que ouviam sua história ficavam admirados. "Maria conservava todas estas palavras, meditando-as no Seu coração," isto é, Ela guardou na memória tudo aquilo que ouviu. Quando o Evangelista Lucas descreveu a Anunciação do Arcanjo Gabriel, o nascimento de Cristo e outros acontecimentos, (Luc., cap.2), evidentemente escrevia baseado nas palavras Dela.

No oitavo dia a Criança foi circuncisada, conforme era prescrito pela Lei de Moisés. Provàvelmente logo após o Nascimento, a Sagrada Família mudou-se da gruta para uma casa, pois para a maioria dos que chegavam a Belém, após a inscrição não havia necessidade de permanecerem ali.

A Adoração dos Magos.


A narrativa posterior do Evangelho a respeito da adoração dos magos (Mat., cap. 2), é muito edificante. Antes de mais nada, esta é a história sobre a "epifania," ou a manifestação de Cristo aos pagãos.

José e a Santíssima Mãe de Deus, juntamente com Jesus Menino, ainda estavam em Belém quando os magos chegaram de um país distante (Pérsia ou Babilônia). Eram chamados de magos ou sábios aqueles que se empenhavam em observar e estudar as estrelas. Naquele tempo as pessoas acreditavam que ao nascer um grande homem surgia uma nova estrela no céu. Muitos pagãos dos confins da Pérsia que foram ensinados por judeus dispersos, sabiam a respeito da vinda do Messias ao mundo – o Grande Rei de Israel. Dos judeus eles poderiam até ter aprendido a seguinte profecia de Balaão a respeito do Messias: "Eu O vejo, mas não é para agora. Percebo-O, mas não de perto; um Cetro levanta-se de Israel, Que fratura a cabeça de Moab" (Num. 24:17; "Moab"é a personificação dos inimigos do Messias). Os magos persianos aguardavam que quando o Rei prometido nascesse, no céu surgiria uma nova estrela. Embora a profecia de Balaão falasse sobre uma estrela no sentido espiritual, o Senhor, em Sua misericórdia, afim de trazer os pagãos para a Fé, deu um sinal nos céus na forma do aparecimento de uma estrela extraordinária. Vendo isso, os magos compreenderam que o esperado Rei nasceu.

Após uma longa e prolongada jornada, eles finalmente chegaram à capital do reino de Jerusalém, e começaram a perguntar: "Onde está o Rei dos judeus que nasceu? Pois nós avistamos a estrela Dele no horizonte e viemos reverenciá-Lo." Estas palavras vindas de desconhecidos tão notáveis, agitaram muitos habitantes de Jerusalém, e em especial o rei Herodes o qual foi imediatamente avisado sobre a chegada dos misteriosos sábios orientais.

Desde os primeiros dias da acessão de Herodes, seu trono era vacilante. O povo o odiava, considerando-o como usurpador do trono de Davi e tirano; o abominavam como um pagão. Os últimos anos de vida de Herodes se agravaram ainda mais por infortúnios pessoais e represálias sangrentas. Ele tornou-se extremamente suspeito, e por mínimas causas executava seus inimigos reais e fictícios. Por este motivo algumas crianças de Herodes pereceram, inclusive também sua mulher a quem ele outrora amou ardentemente. Doente e decrépito, Herodes agora residia em seu novo palácio em Sion. Tendo ouvido a respeito do Rei que havia nascido, ele ficou particularmente preocupado, temendo que as pessoas aproveitando de sua velhice lhe tirariam o poder e o passariam para o Rei recém nascido.

Para esclarecer quem seria esse novo pretendente ao trono, Herodes reuniu todos os sacerdotes e escriturários – pessoas que conheciam bem os livros da Sagrada Escritura, e perguntou-lhes: "Onde Cristo deveria nascer?" Eles responderam: "Em Belém da Judéia, pois assim está escrito pelo profeta Mequéias." Então Herodes chamou secretamente os magos, investigou a hora do aparecimento da estrela e os mandou para Belém. Fingindo-se de piedoso, o astuto Herodes disse-lhes: "Ide e lá procurem saber bem tudo a respeito da Criança, e quando O encontrarem venham relatar-me para que eu possa também ir reverenciá-Lo." Na realidade Herodes queria era aproveitar-se da informação deles para condenar a Criança à morte.

Tendo ouvido o rei Herodes, os magos sem desconfiarem de nada, partiram para Belém. Ali novamente apareceu aquela estrela, a mesma que eles tinham visto antes no horizonte. Ela movimentando-se pelo céu, andava adiante deles mostrando-lhes o caminho. Em Belém a estrela ficou parada sobre o lugar onde estava o Menino Jesus.

Os magos entraram na casa e avistaram o Menino Jesus junto com Sua Mãe. Eles inclinaram a cabeça diante Dele, fazendo a reverência até o solo e O presentearam com: ouro, incenso e mirra (um precioso óleo aromático). Nos presentes dos magos pode-se notar o seguinte significado simbólico: O ouro Lhe foi ofertado como a um Rei (como tributos ou faixas), o incenso, como a Deus (o incenso é usado nos divinos ofícios), e a mirra, como para uma Pessoa, a qual está para morrer (pois naquele tempo os mortos eram ungidos com óleos misturados com mirra aromática).

Tendo reverenciado o Rei aguardado por todos, os magos deveriam retornar a Jerusalém e ao rei Herodes no dia seguinte. Porém um Anjo apareceu-lhes em sonho e revelou as intenções pérfidas de Herodes, e mandou-os voltarem à sua pátria, tomando outro caminho que não passasse perto de Jerusalém. A tradição preservou os nomes dos magos, os quais depois tornaram-se cristãos. Eram eles: Melchior, Gaspar e Baltazar. No relato sobre o Nascimento de Cristo, é admirável ainda notar que os primeiros a venerarem o recém-nascido Salvador foram os pastores, verdadeiros filhos da natureza, que podiam abrir diante Dele apenas o tesouro de seus corações, cheios de simplicidade, Fé e humildade. Significativamente mais tarde vieram os magos do oriente, impregnados de sabedoria erudita, que mediante venerável alegria colocaram ouro, incenso e mirra diante da Criança Divina. Eles tiveram que fazer uma longa jornada para alcançarem a Judéia, e mesmo já estando em Jerusalém, não conseguiram encontrar logo o lugar do nascimento do Rei dos Judeus. Será que isto não indica que a pureza do coração e a profunda erudição conscienciosa levam igualmente a Cristo? Mas o primeiro caminho é mais direto, curto e fiel do que o segundo. Os pastores eram guiados diretamente pelos Anjos, enquanto que os magos foram "guiados" por uma estrela muda e através de Herodes, pelos escribas e anciãos judeus. Porém, sem dificuldades e perigos eles alcançaram a meta desejada, e não ouviram a harmonia celeste que soou sobre a terra – "Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens de bem" (pensamento do Metropolita Anastácio).

O Filho de Deus

E o Filho do Homem.

"É tão sublime – unanimemente O proclamamos – o Mistério da bondade divina manifestado na carne" (1 Tim. 3:16). Estas palavras do Apóstolo atestam de que o milagre da encarnação do Filho de Deus excede a compreensão de nossa mente limitada. Realmente nós podemos acreditar, mas não podemos explicar os acontecimentos que sucederam há dois mil anos atrás em Belém, quando na Pessoa de Jesus Cristo onde duas naturezas diferentes e opostas na essência foram unidas: a sobrenatural, eterna e infinita – Divina, e ao mesmo tempo a material, limitada e frágil – a natureza humana.

Não obstante, os Evangelhos e as epístolas Apostólicas, na extensão das nossas forças, nos revelam certos aspectos do milagre da encarnação do Filho de Deus. São João o Teólogo, no começo do seu Evangelho eleva nosso pensamento à pré-eterna existência da Segunda Pessoa da Santíssima Trindade, a Quem ele denomina de verbo dizendo: "No princípio era o Verbo, e o Verbo estava junto de Deus e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio junto de Deus. Tudo foi feito por Ele e sem Ele nada foi feito... E o Verbo se fez carne e habitou entre nós" (S. João. 1:1-3,14).

A denominação de Verbo do Filho de Deus indica que o nascimento Dele do Pai não deve ser entendido no sentido de um nascimento comum: ele ocorreu impassível e sem desagregação. O Filho de Deus nasceu do Pai assim como a palavra nasce do pensamento. O pensamento e a palavra são diferentes um do outro e ao mesmo tempo são inseparáveis. Não existe palavra sem o pensamento, e o pensamento infalivelmente é expresso na palavra.

A prédica Apostólica subsequente é mais completa ao revelar a verdade da Natureza Divina de Cristo, ou seja, que Ele é verdadeiramente o Unigênito (o único) Filho de Deus, o qual nasceu do Pai antes de todos os séculos, isto é, Ele é eterno, assim como Deus Pai é eterno. O Filho de Deus tem a mesma natureza Divina que Deus Pai, e por esta razão – Ele é o Criador do mundo visível e invisível, e de nós homens. Resumindo, Ele, sendo a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade, é o verdadeiro e absoluto Deus. A Fé em Jesus Cristo como o Filho encarnado de Deus representa a fortaleza ou a pedra na qual a Igreja está estabelecida, de acordo com a palavra do Senhor: "Sobre esta pedra edificarei a Minha Igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela" (Mat. 16:18).

Sendo Deus perfeito, Cristo-Salvador é ao mesmo tempo um Homem perfeito. Tendo corpo humano e alma com todas suas particularidades – razão, vontade e sentimentos, como homem, Ele nasceu da Virgem Maria. Como Filho de Maria, Ele obedecia a Ela e a José. Como homem, Ele foi batizado no Jordão, visitou cidades e vilarejos com Seu sermão de salvação. Como homem, Ele sentiu fome, sede, cansaço, necessitava dormir e repousar; suportou sensação de enfermidades e sofrimentos físicos. Vivendo uma vida física inerente ao homem, o Senhor também viveu uma vida espiritual. Ele fortalecia Suas forças espirituais com jejum e orações. Ele experimentou sentimentos humanos – alegria, cólera, tristeza; derramou lágrimas. Deste modo o Senhor Jesus Cristo, tendo tomado nossa natureza humana, era igual a nós em tudo, exceto no pecado.

Possuindo duas naturezas, Jesus Cristo tinha também duas vontades livres. A vontade humana racional consciente de Jesus Cristo invariavelmente subordinava suas aspirações humanas e o desejo da vontade Divina dentro Dele. A vontade humana em Cristo está claramente visível durante Seus profundos sofrimentos no jardim de Gethsemani: "Meu Pai, se é possível, afasta de mim este cálice! Todavia não se faça o que Eu quero, mas, sim, o que Tu queres" (Mat. 26:39).

Assim, pela Sua obediência a Deus Pai, o Senhor Jesus Cristo corrigiu nossa desobediência e nos ensinou a colocar a vontade de Deus acima dos nossos desejos.


A Finalidade da Encarnação

do Filho de Deus.

A parábola sobre a ovelha desgarrada fala de modo claro e figurativo sobre o objetivo da vinda do Filho de Deus ao mundo. O bondoso Pastor deixa noventa e nove ovelhas o que significava o mundo angelical, e dirige-se às montanhas, afim de procurar sua ovelha perdida – a raça humana perdida nos pecados. O imenso amor do Pastor por sua ovelha desgarrada é evidente não apenas pelo fato dEle procurá-la cheio de preocupação, mas particularmente por Ele carregá-la em seus ombros e traze-la de volta após encontrá-la. Em outras palavras, Deus com Seu poder devolve ao homem a inocência, a santidade e bem aventurança perdidas. O Filho de Deus uniu-se a nossa natureza, de acordo com as palavras do Profeta, "Ele tomou sobre Sí nossas enfermidades e carregou com nossos sofrimentos" (Isa. Cap. 53).

Cristo fez-Se homem não sòmente para nos ensinar o caminho e nos mostrar bons exemplos. Ele Se fez homem para nos unirmos a Ele, para juntar nossa débil e doente natureza humana à Sua Divindade. A Natividade de Cristo testemunha o fato de que nós alcançamos o alvo final de nossa vida não apenas através da Fé e a procura do bem, mas essencialmente através do poder regenerativo da encarnação do Filho de Deus, com Quem nós nos unimos.

E, ao nos aprofundarmos no mistério da encarnação do Filho de Deus, podemos ver que está estreitamente ligada ao mistério da Comunhão e com a Igreja, o que, pelos ensinamentos Apostólicos, significa o Corpo Místico de Cristo. Na Sagrada Comunhão do Corpo e Sangue de Cristo, o homem se une à natureza Divina de Cristo, junta-se a Ele e nessa união é totalmente transfigurado. Ao mesmo tempo na Sagrada Comunhão, o cristão se une também a outros membros da Igreja – e assim o Corpo místico de Cristo cresce.

Os hereges, os quais não crêem na Sagrada Comunhão entendem a união com Cristo de um modo alegórico, figurado, ou no sentido de apenas uma comunicação espiritual com Ele. Mas para uma comunicação espiritual, a encarnação do Filho de Deus é supérflua. Afinal de contas, mesmo antes da Natividade de Cristo, os profetas e os justos eram dígnos da abençoada comunicação com Deus.

Devemos entender que o homem está enfermo não apenas espiritualmente, mas também fisicamente: toda a natureza humana está danificada pelo pecado. Por esta razão, é essencial curar o homem inteiro e não apenas seu lado espiritual. Para remover qualquer dúvida em relação à necessidade da total comunhão com Ele, o Senhor Jesus Cristo em Seu discurso sobre o Pão da vida, diz assim: "Se não comerdes a carne do Filho do Homem e não beberdes o Seu sangue, não tereis a vida em vós mesmos. Quem come a Minha carne e bebe o Meu sangue tem a vida eterna; e Eu o ressuscitarei no último dia... Quem come a Minha carne e bebe o Meu sangue permanece em Mim e Eu nele" (Joã. 6:53-56). Um pouco mais tarde, no discurso sobre a videira, Cristo explica aos Seus discípulos que justamente na união estreita com Ele o homem recebe forças necessárias para o desenvolvimento espiritual e a perfeição: "o ramo não pode dar fruto por si mesmo, se não permanecer na videira. Assim também vós: não podeis tampouco dar fruto, se não permanecerdes em Mim" (Joã. 15:4-5).

Alguns santos Pais comparavam devidamente a Comunhão com a árvore mística da vida, da qual nossos antepassados comiam no Éden e a qual depois são João o Teólogo viu no paraíso (Gen. 2:9; Apo. 2:7, 22:2). Na Sagrada Comunhão o cristão se une à vida imortal de Deus-Homem.

Desta maneira, a finalidade da encarnação do Filho de Deus consiste na regeneração física e espiritual do homem. A renovação espiritual sucede no decorrer de toda a vida do cristão. Mas a renovação da natureza física dele será concluída no dia da ressurreição geral dos mortos, quando "Então, no Reino de seu Pai, os justos resplandecerão como o sol" (Mat. 13:43).

Ofícios Divinos

na Natividade de Cristo.

Depois da Páscoa, a Natividade de Cristo é a festividade mais radiante, a qual pode ser chamada verdadeiramente de "Páscoa do Inverno." A celebração da Natividade de Cristo surgiu muito cedo, possivelmente ainda no primeiro século. Desde o final do sec. IV até os dias de hoje, a Natividade de Cristo é celebrada no dia 7 de janeiro calendário civil, e depois o Batismo no dia 19 de janeiro calendário civil, e é chamada de Teofania. Iniciando no 4o século, a Natividade de Cristo começou a ser celebrada em 25 de dezembro (no dia da festividade pagã em honra ao "Sol Invensível"). Atualmente isso sucede em 7 de janeiro, pelo calendário Gregoriano. A Igreja prepara os crentes para uma celebração digna da Natividade de Cristo pelo jejum de 40 dias, o qual tem início em 28 de novembro, pelo novo estilo ou calendário civil, no dia da comemoração do Apóstolo Felipe (daí provém o jejum de Felipe). Os cristãos ortodoxos passam a véspera da Natividade de Cristo em jejum rigoroso. De acordo com o regulamento, nesse dia come-se apenas sochivo (trigo escaldado com mel). Por esta razão esse dia é denominado "Sotchelnic."

Na véspera da Natividade de Cristo realizam-se as "horas reais." Este ofício divino difere das "horas" habituais nas leituras das "paremias" especiais (leituras escolhidas das Sagradas Escrituras principalmente do Antigo Testamento). Além disso são lidos o Apóstolo e o Evangelho.

Depois é realizada a Liturgia de São Basílio o Grande com as Vésperas. Nestas Vésperas são cantados os cânticos sobre "Senhor eu clamo," nos quais, por um lado é representado o significado interior da encarnação do Filho de Deus, graças a que foi destruído o conflito entre Deus e as pessoas; a espada de fogo do anjo que interceptava a entrada ao paraíso voltou para traz e nós novamente recebemos acesso ao paraíso. Por outro lado é representado o quadro da Natividade de Cristo: a doxologia dos anjos, distúrbios de Herodes e a unificação de todos os homens sob o domínio do imperador romano Augusto.

As seis paremias são constituídas dos seguintes pensamentos: a 1a leitura do Antigo Testamento (1:1-13) fala sobre a criação dos homens por Deus; a 2a (Num. 24:2-9; 17-18) fala sobre o significado profético da estrela de Jacó e o nascimento do Messias, a Quem todos os homens se submeterão. A 3a leitura (Miq. 4:6-7; 2-4 e 5:2-4), fala sobre o nascimento de Cristo em Belém; A 4a (Isa 11:1-10) fala sobre um Rebento que brotará do tronco de Jessé (o Messias) e a respeito do Espírito de Deus que repousará sobre Ele; a 5a (3:36-38; 4:1-4) diz sobre o aparecimento de Deus sobre a terra e sobre Sua vida entre os homens. A 6a (Dan. 2:31-36; 44-45) fala sobre a restauração (por Deus) do Reino Celeste. Ao final da Liturgia os sacerdotes, diante do ícone da festa colocado no centro da Igreja, glorificam Cristo com cantos do troparion e Kondaquion da comemoração desse dia.

Ao anoitecer, na véspera da Natividade de Cristo, é celebrada a Vigília solene a qual inicia-se com a 1a parte da Vigília de Natal, com cânticos triunfantes dos versos: "Deus está conosco" (que contêm a profecia sobre o nascimento do Messias, veja Isa 7:14; 8:8-15 e 9:6-7). Nos cânticos é expressado o triunfo do céu e da terra, dos anjos e dos homens, que se alegram pela descida de Deus à terra e na conseqüente mudança moral e espiritual nos homens. Os cânticos no final das Vésperas exprimem o pensamento a respeito de que se realizou o milagre glorioso: "a Palavra nasceu incorruptível da Virgem e não está separada do Pai. Após "Concede agora ao Teu servo partir" é cantado o seguinte troparion:

Troparion:

Tua natividade, Ó Cristo nosso Deus,

iluminou o mundo com a luz da razão:

porque aqueles que adoravam

as estrelas, aprenderam através da estrela

a Te reverenciar, Sol da verdade, e a

Te ver nas alturas do Nascer

Do dia: Ó Senhor, glória a Ti.

Antes da leitura dos seis salmos no começo das Matinas, é como se o coro da Igreja se fundisse com o coro do céu cantando: "Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens de bem."

O "Cânone" (parte do ofício divino após o Evangelho em Orthros) expressa o pensamento de que Aquele que nasceu da Virgem não é um simples homem, mas sim é Deus surgido em carne na terra para a salvação dos homens, conforme foi profetizado a respeito Dele no Antigo Testamento. No cânone Jesus Cristo é chamado de Bem-feitor, Aquele que nos reconciliou com Deus Pai, livrando-nos do domínio do demônio e nos salvou do pecado da maldição e morte (veja o Cânone abaixo). Após o sexto cântico do Cânone e a Pequena Ladainha canta-se o seguinte:

Kondaquion:

Hoje a Virgem deu à luz Àquele que

está acima de tudo que existe, e

a terra oferece uma caverna

ao Inacessível; os Anjos veneram com

os pastores, e os magos viajam com

a estrela, pois para a nossa salvação

nasceu uma Criança, Deus pré-eterno.

No próprio dia da festa da Natividade, no início da Liturgia, em lugar dos salmos "Bendize ó minha alma" e "louva ó minha alma," são cantadas antíforas especiais. O prokimenon antes da Epístola expressa a adoração a Jesus Cristo por toda a criação – "Toda criação Te venera e canta a Ti; cantemos ao Teu nome, ó Altíssimo." Na leitura Apostólica explica-se de como através da encarnação de Jesus Cristo nós nos fizemos filhos do Pai Celestial: "Quando veio a plenitude dos tempos, Deus enviou Seu Filho, Que nasceu de uma mulher e nasceu submetido a uma Lei, a fim de remir os que estavam sob a Lei, para que recebêssemos a Sua adoção. A prova de que sois filhos, é que Deus enviou aos nossos corações o Espírito de Seu Filho, que clama "Aba! Pai!. "Portanto, já não és escravo mas filho, e se és filho, então também herdeiro de Deus, através de Jesus Cristo" (Gal. 4:4-7). A leitura do Evangelho narra sobre a adoração dos magos ao Senhor nascido (Mat. 2:1-12).

Em lugar de "É verdadeiramente digno louvar-Te é cantado o seguinte "zadostoinik."

Zadostoinik:

Por receio (para não injuriar a Virgem

Maria), seria melhor guardarmos

silêncio, o que seria mais seguro; pois

por amor a Ti, Virgem, compor habilmente

cânticos harmoniosos, não

é fácil. Porém Tu Mesma, Mãe,

dá-nos habilidade em nosso fervor.

Canone da Natividade.

Na Vigília da véspera da Natividade de Cristo são cantados dois cânones, que foram escritos por dois famosos compositores do oitavo século; eram eles São Cosme de Maiuma e São João de Damasco. Os dois cânones são repletos de pensamentos profundos e sublimes, com imagens vivas e expressões majestosas, que correspondem inteiramente à solenidade da celebração da festividade.

No cânone de São Cosme domina o pensamento de que Cristo feito homem, permanece como era; como Deus. Infundido por esse acontecimento, o escritor do cânone glorifica com entusiasmo e veneração o Deus-Homem Que desceu à terra, acrescentando-Lhe nomes, qualidades e ações, os quais Lhe foram atribuídos pelos antigos Profetas. O inspirado escritor estimula também outros para a alegria e um encontro digno com o recém-nascido Rei da glória, iniciando o cânone com as palavras de São Gregório o Teólogo: "Cristo nasceu, glorifiquem" (do sermão de São Gregório, da Natividade), e ao final do cânone repetindo as palavras de São Crisóstomo: o mais glorioso e estranho mistério que vejo. São João de Damasco, em seu cânone, descreve aqueles fatos de salvação, os quais sucederam para a raça humana por causa do surgimento do Filho de Deus encarnado, revelado com clareza nos livros do Novo Testamento. Apresentaremos aqui apenas o cânone de Cosme de Maiuma. Os "cânones sempre possuem nove "cânticos," porém, o 2o cântico existe somente nos cânones da Grande Quaresma.

Eirmos: Cristo nasceu – glorifiquem-No! Cristo vem dos céus – recebam-No! Cristo está na terra – louvem! Cante ao Senhor, o mundo todo! E com alegria glorifiquem, povo: pois Ele foi glorificado.

O homem, feito à imagem de Deus, se perverteu em consequencia do pecado, se submeteu inteiramente à corrupção e se privou da superior vida Divina, mas é reabilitado pelo sábio Criador porque Ele foi glorificado.

O Criador, vendo a perdição do homem, criado por Suas mãos, baixando dos céus, desce e assume toda sua natureza, verdadeiramente encarnado da Virgem pura, pois Ele foi glorificado.

Sendo sabedoria, pela Palavra, pela força, Filho e esplendor do Pai, Cristo Deus, mistério de todas as forças quantas existem além do mundo e sobre a terra, ao Se fazer homem nos renovou, pois Ele foi glorificado!

3o Cântico

Eirmos: Ao Cristo Filho de Deus, nascido sem pecado do Pai antes dos séculos e nos últimos séculos encarnado da Virgem sem semente, exclamemos: Tu ergueste nossa dignidade. Tu é santo, Ó Senhor.

O mortal Adão, participante do alento da vida, ao ver Cristo nascido da Mulher, exclama: Por minha causa Te assemelhaste a mim. Tu és santo, Ó Senhor.

Ó Cristo, tendo assumido nossa modesta carne, unido a nós Sua existência Divina, Se tornando homem sendo Deus, e tendo elevado nosso mérito, Tu és santo, Ó Senhor.

Alegra-te Ó Belém, cidade real entre as cidades de Judá: pois Cristo subiu ao trono sobre todos, descendente de tí e Que elevou nosso mérito, carregado sobre os ombros dos Querubins.

4o Cântico

Eirmos: Um renôvo saiu do tronco de Jessé e um rebento brotou de suas raízes: Cristo! Tu brotaste da Virgem, Ó Glorioso. Foste encarnado Daquela que não conheceu nenhum homem. Tu vieste, não formado da matéria, Ó Deus, da montanha sombreada pela floresta: glória ao Teu poder, Ó Senhor (Isa. 11:1; Hab. 3:3).

Cristo, profetizado na antiguidade por Jacó como esperança das nações; Tu foste originado da tribo de Judá e vieste derrubar o poder de Damasco e a espoliação de Samaria, substituindo os erros por fé agradável a Deus. Glória ao Teu poder, Senhor (Gen. 49:10; Isa. 8:4).

Tu, Ó Senhor, Que resplandeceste como a estrela saída de Jacó, realizaste a alegria dos sábios observadores das estrelas e dos discípulos do antigo profeta Balaão, que foram trazidos a Tí como início dos pagãos e claramente os acolheste. Glória ao Teu poder, Ó Senhor (Num.24:17).

Tu desceste, Ó Cristo, ao ventre da Virgem, como a chuva sobre o velo e como gotas de orvalho caindo sobre o solo; a Etiópia e Tharsis, as ilhas da Arábia e Saba, todas regentes da terra caíram diante de Ti, Ó Salvador. Glória o Teu poder, Senhor (Juizes 6:37).

5o Cântico

Eirmos: Deus da paz e Pai da misericórdia, Tu nos enviaste o Anjo do Grande Conselho que nos concede a paz. Nós sendo acordados na noite e trazidos à luz do conhecimento de Deus glorificamos a Tí que amas a humanidade (Isa. 9:1).

Tu Cristo, tendo Se submetido às ordens de César de ser incluído entre seus súbitos, Tu nos libertaste, nós que somos escravos do inimigo e do pecado; depauperado em tudo por nós, mediante a união e relação conosco, Tu divinizaste o homem mortal. Eis a Virgem, que conforme está escrito na antiguidade, concebeu no ventre e deu a luz a Deus que Se fez homem e se mantém Virgem. Através Dela nós pecadores nos reconciliamos com Deus. A glorificamos com fé, como a verdadeira Mãe de Deus.

6o Cântico

Eirmos: O monstro marinho regurgitou Jonas tal qual o tomou, como um bebê do ventre; e quando a Palavra, Se instalou na Virgem e Se fez carne, passou, preservando. A intocada, pois a Palavra não era sujeita a perecer, e conservou Sua Mãe intacta.

Na carne veio nosso Cristo Deus; o Pai O fez vir ao mundo do ventre antes da estrela matinal (aurora; indicação poética para a eternidade do Messias – veja salmo 109). Dirigido por forças puras Ele se deita na manjedoura de gado, é enrolado com faixas, e rasga os nós embaraçados do pecado.

Da natureza de Adão é nascido o Filho, pequeno Infante que é dado aos fiéis. Ele é o Pai e chefe do próximo século e é chamado de Anjo do Grande Conselho (Trindade – Ele é Deus, forte e terá toda humanidade sob seu domínio (Isa. 9:6).

7o Cântico

Eirmos: As crianças educadas juntas na virtuosidade, desprezando os maus preceitos, não tiveram medo do fogo. Passeavam dentro das chamas, cantavam: Louvado Tu, Deus dos nossos pais (Dam. 3).

Os pastores que estavam no campo, foram dignos da aparição da luz; pois a graça do Senhor os iluminou, e o Anjo exclamava: Cantem, pois nasceu Cristo, Deus bendito dos pais.

Subitamente, após as palavras do Anjo, os exércitos celestes começaram a exclamar: Glória a Deus nas alturas, e paz na terra aos homens de bem. Cristo resplandeceu, abençoado Deus dos pais.

"O que significa essa palavra? – diziam os pastores, — vamos ver o que aconteceu; vamos ver o Cristo Divino." Chegando pois a Bethlem, reverenciaram-No junto com a Mãe cantando: Deus dos pais, Tu és abençoado.

8o Cântico

Eirmos: O fogo da fornalha de Babilônia, aonde foram jogados os três infantes, ao invés de queimar, refrescava-os; (veja Dan. 3:50) a fornalha era a imagem de um milagre sobrenatural, pois ela não queimou os jovens, tal qual o fogo da Divindade – as entranhas da Virgem quando Ele desceu Nela. Por isso exclamemos glorificando: Que toda criação bendiga o Senhor e O exalte por todos os séculos.

A filha da Babilônia irá atrair para sí de Sião os filhos de Daví e envia seus filhos, os magos levando presentes, para reverenciarem a Filha de Daví, a Qual recebeu Deus. Por isso glorificando exclamemos: "Que toda criação bendiga o Senhor e O exalte por todos os séculos.

Cânticos lamentosos obrigaram as crianças de Sião a colocar de lado os instrumentos musicais, pois elas não poderiam cantar em terra estranha. Mas Cristo resplandeceu em Belém e dispersou toda sorte de sedução e harmonia musical da Babilônia. Por isso cantando exclamemos: Que toda criação bendiga o Senhor e O exalte por todos os séculos (Sal. 136).

A Babilônia tomou e dominou as riquezas reais de Sião. Mas Cristo através da estrela-guia atrai para Sião Seu tesouro e eruditos. Por isso cantando exclamemos: Que toda criação bendiga o Senhor e O exalte por todos os séculos (2-Reis 24).

9o Cântico

Eirmos: Vejo um extraordinário e maravilhoso mistério: uma cavera – o Céu, a Virgem – o trono dos Querubins; manjedoura – lugar onde Cristo Deus, o ilimitado, está deitado, a Quem louvamos cantando.

Os magos vendo o curso proeminente da extraordinária estrela que iluminava os céus, se convenceram de que Cristo o Rei nasceu na terra de Belém, para a nossa salvação.

Quando os magos diziam: Onde está a Criança recém-nascida – o Rei, da Qual a estrela, é testemunha? Nós viemos venerá-La. Então Herodes o herege ficou furioso, planejando matar Cristo.

Herodes averiguou sobre o tempo do aparecimento da estrela, sob cuja direção os magos veneravam a Cristo com presentes, em Belém. A mesma estrela os dirigiu de volta à sua terra, deixando o cruel infanticida ridicularizado.

Assim sendo, os hinos Natalinos nos lembram de que nesta noite memorável cada criatura apressou-se em trazer seu presente para o Rei-Salvador: o céu – a estrela, a terra – caverna; o deserto – a manjedoura; os Anjos – cânticos; pastores – veneração; magos – presentes. Por isso também nós devemos chegar até Ele não de "mãos vazias," e sim trazer-Lhe aquilo que é mais valioso de tudo, — nosso coração puro e cheio de fé. Pois, "para isto Deus superior apareceu na terra, para nos elevar aos céus!."

Na Noite de Natal.

Oh, como eu desejaria, com ardente fé

E a alma aflita, purificada dos pecados,

Ver a penumbra daquela caverna miserável,

Onde por nós brilhou o Amor Eterno,

Onde a Virgem estava com Cristo, Santíssima,

Contemplando o Recém-Nascido com o olhar cheio de lágrimas

Como que prevendo os terríveis sofrimentos,

Ó, como eu desejaria, com ardente fé,

Ter aquilo que Cristo recebeu na cruz pelo mundo pecador!

Ó, como eu queria derramar lágrimas sobre a manjedoura,

Onde estava deitado Cristo-Recém-Nascido, e com oração

Cair de joelhos, — rezar pedindo-Lhe para que se apaguem

O ódio e a inimizade atuantes sobre a terra pecadora.

Para que o homem na impetuosidade, irritado, cansado,

Arrasado pela tristeza, numa luta cruel,

Se esqueceu do ideal centenário

E de novo seja infiltrado pela fé santa e forte, —

Para que, como aos humildes pastores,

Na noite da Natividade, das alturas

Uma estrela milagrosa, com seu fogo sagrado,

Resplandecesse repleta de uma beleza irreal.

Para que também a ele, cansado e doente,

Como os antigos pastores bíblicos e os magos,

Ela sempre levaria, na noite da Natividade de Cristo

Para lá, onde nasceram a Verdade e o Amor.

V. Ivanov.

quinta-feira, 23 de abril de 2009

A Santissima Mae de Deus

A Sagrada
Virgem Maria
Incansável protectora e defensora do mundo cristão

Bispo Aleksandr Mileant


Traduzido por Boris Poluhoff
________________________________________

Conteúdo:
A Veneração da Virgem Maria. A Vida terrena da Virgem Maria. Os milagres recentes e aparições da Virgem Maria. Algumas das suas imagens milagrosas. Orações seleccionadas. ________________________________________ Mãe de Deus e Mãe da Igreja (Pe. Lev Lhébedev).

A Veneração da Virgem Maria.


"Por você se alegra, Cheia de Graças, toda a vida animal, todos os Anjos e todos os seres humanos."

Desde os primeiros tempos do cristianismo, a Sagrada Virgem Maria, pelas suas graças maravilhosas, por ser a escolhida de Deus e pela sua permanente ajuda aos necessitados, sempre obteve a veneração e a gratidão dos cristãos. A veneração da Sagrada Virgem Maria, começou desde o momento em que o Arcanjo Gabriel A saudou e lhe comunicou o mistério da maternidade divina do Filho de Deus: "Avé Maria! Cheia de Graça o Senhor é convosco! Bendita és tu entre as mulheres e Bendito é o fruto do teu ventre!" Com esta mesma saudação, acrescentada das palavras: "Bendito é o Fruto de teu ventre!" a Sagrada Virgem Maria foi recebida por Isabel, mulher do sacerdote Zacarias, à qual o Espírito Santo revelou que estava perante a Mãe de Jesus Cristo (Lucas 1:41). A dedicada veneração da Sagrada Virgem Maria na Igreja é realizada em numerosas datas, que a Igreja destaca como recordações de inúmeras circunstâncias da vida da Sagrada Virgem. Importantes santos e pastores da Igreja elaboraram hinos preces em honra da Virgem Maria, e se expressaram profundamente inspirados espiritualmente por Ela. Juntamente com esta intensa veneração da Sagrada Virgem Maria, é importante para a nossa própria aprendizagem sabermos como Ela viveu, como Se preparou, como cresceu e amadureceu até este elevado nível de evolução, - ser o receptáculo da Palavra de Deus. As escrituras do Antigo Testamento, que previram o nascimento do Filho de Deus, fazem referências também à Sagrada Virgem Maria. Desta forma, a primeira menção ao Cristo Salvador, que já incluía também uma profecia em relação à Sagrada Virgem, foi feita no julgamento a serpente: "Criarei o litígio (como sinónimo de diferença) entre você e a Mulher e entre a sua semente e a semente Dela" (Génesis 3:15). a profecia que já se refere ao futuro Cristo-Salvador, aqui nesta citação é representado pela referência à semente Dela enquanto em todas as outras situações os descendentes são citados como sementes de qualquer um dos descendentes masculinos. O profeta Isaías clarifica mais ainda esta profecia, indicando que Ela, a Mulher escolhida para gerar o Messias-Emanuel, será Virgem: "Pois por isso o Senhor Deus vos dará este sinal" - diz o profeta aos pouco crentes descendentes de David. E apesar do termo "Virgem" parecer estranho aos antigos povos judeus, (uma vez que necessariamente pressupõe uma relação conjugal), eles não se atreveram a trocar a palavra "Virgem" por outra do tipo "Mulher". Portanto: "Uma Virgem conceberá e dará a luz um filho, e seu nome será Emanuel" - nome que significa: Deus está conosco" (Isaías 7:14).

A
vida terrena
da Mãe de Deus

Com base nas escrituras sagradas e na herança histórica da Igreja

O evangelista Lucas, que conheceu de perto a Sagrada Virgem Maria, registrou a partir das palavras Dela, inúmeros factos importantes relativos aos primeiros anos da Sua vida. O evangelista Lucas era médico e também pintor, tendo pintado uma imagem da Virgem, ícone a partir do qual outros pintores fizeram outras cópias.

O nascimento da Sagrada Virgem Maria.

Quando se aproximava o momento do nascimento do Salvador do mundo na cidade de Nazaré, na Galiléia, morava aí um descendente do rei David, chamado Joaquim com a sua mulher, Ana. Ambos eram pessoas reconhecidamente de boa índole e eram conhecidos pela sua compaixão, humildade e generosidade. Joaquim e Ana atingiram uma idade muito avançada, mas não tinham filhos. Este facto entristecia-os especialmente. Mas apesar da idade, eles continuavam a orar incessantemente e a pedir a Deus para que Ele lhes concedesse um filho. Para isso fizeram até uma promessa de que se eles recebessem a dádiva do nascimento de um filho, o destinariam para servir a Deus. Naqueles tempos não ter filhos era considerado um castigo divino pelos pecados cometidos. Joaquim em particular sofria muito com a falta de filhos, principalmente porque, de acordo com a as profecias, na sua família deveria nascer o Messias-Jesus. Pela paciência e Fé, Deus deu a Joaquim e Ana uma grande alegria: finalmente conceberam uma filha e a Ela foi dado o nome de Maria, o que em hebreu significa: "Senhora, Esperança."

A entrada no Templo.


Quando a Virgem Maria completou 3 anos, os seus beneméritos pais prepararam-na para cumprir a promessa fixada por eles: levaram-na a um templo em Jerusalém para que Ela pudesse dedicar a Sua vida a Deus. A Virgem Maria ficou a residir junto ao templo. Aí, Ela e outras companheiras estudavam as leis de Deus e executavam trabalhos manuais, rezavam e liam as Escrituras Sagradas. Junto a este templo a Virgem Maria viveu perto de 11 anos, cresceu, desenvolvendo em si uma profunda compaixão, em tudo entregue à vontade de Deus, imensamente modesta e dedicada em seus esforços. Desejando viver e dedicar-se exclusivamente a Deus, ela fez um voto de não se casar e permanecer para sempre virgem.

A Sagrada Virgem Maria e José.


Os já bastante idosos Joaquim e Ana não viveram muito mais tempo e a Virgem Maria ficou órfã. Quando completou 14 anos, Ela não poderia mais continuar, pelas leis, a residir junto ao templo e era necessário que se casasse. O pároco principal, conhecendo o voto por Ela feito, para não o prejudicar, celebrou apenas pró-forma o Seu casamento com um parente distante, que enviuvara na casa dos 80 anos - um ancião de nome José. José comprometeu-se a cuidar dEla e a proteger a Sua condição de Virgem. José vivia em Nazaré. Ele também era descendente da família de David, mas era um homem sem posses e trabalhava como marceneiro. Do seu primeiro casamento José tivera os filhos Judas, Ócio, Simão e Jacób., os quais nas escrituras são denominados "irmãos" de Jesus. A Sagrada Virgem Maria, levava na casa de José a mesma vida modesta e disciplinada que levara antes no templo.

A Anunciação.
No sexto mês após a aparição do Arcanjo Gabriel a Zacarias, por motivo do nascimento de São João Baptista, o mesmo Arcanjo Gabriel foi enviado por Deus para a cidade de Nazaré ao encontro da Sagrada Virgem Maria com a feliz notícia que Deus A escolhera para ser a Mãe do Salvador do mundo. O Arcanjo Gabriel surge perante Ela e anuncia-Lhe: "Deus te salve, cheia de graça; o Senhor é contigo. Abençoada és Tu entre as mulheres!" - Ela ao ouvir estas palavras, perturbou-se e começou a pensar que saudação seria esta. O Arcanjo disse-lhe: "Não temas, Maria, pois achaste graça diante de Deus, eis que conceberás no teu ventre e darás a luz um Filho, a quem porás o nome de Jesus. Este será grande, será chamado Filho do Altíssimo e o Senhor Deus Lhe dará o trono de seu pai David, reinará sobre a casa de Jacob eternamente e o Seu reino não terá fim." Maria disse ao anjo: "Como se fará isso, pois eu não conheço varão?" Respondendo o Arcanjo disse-lhe: "O Espírito Santo descerá sobre Ti e a virtude do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra, por isso mesmo o Santo que há de nascer de Ti, será chamado Filho de Deus. Eis que também Isabel, tua parente, concebeu um filho na sua velhice e este é o sexto mês da que se dizia estéril, porque a Deus nada é impossível." Então disse Maria: "Eis aqui a serva do Senhor, faça-se em Mim segundo a tua palavra." E o Arcanjo afastou-se dela.

Maria visita Isabel.


A Sagrada Virgem Maria, após ter recebido do Arcanjo a notícia que a sua parente Isabel, mulher de Zacarias, daria proximamente à luz um filho, apressou-se a ir visitá-la. Entrou em casa de Zacarias e saudou Isabel. Aconteceu que apenas Isabel ouviu a saudação da Virgem Maria, o menino saltou no seu ventre e Isabel ficou cheia do Espírito Santo e constatou Que sim, a Virgem Maria fora consagrada para ser a Mãe de Jesus Cristo. Exclamou em voz alta "Bendita és Tú entre as mulheres e bendito é o fruto de teu ventre. Donde a mim esta dita, que a mãe do meu Senhor venha ter comigo?" Então a Virgem Maria disse: "Minha alma glorifica o Senhor, e o meu espírito exulta em Deus meu Salvador." Porque lançou os olhos para a humilhação da sua serva, portanto eis que de hoje em diante, todas as gerações me chamarão Bem-Aventurada. Porque o Todo-Poderoso fez em mim grandes coisas, o Seu nome é santo. E a sua misericórdia se estende de geração em geração sobre aqueles que o temem. A Virgem Maria ficou a morar durante aproximadamente 3 meses junto a Isabel e depois voltou para sua casa em Nazaré. Deus informou também José do nascimento de Cristo. O anjo de Deus, apareceu-lhe em sonhos e comunicou-lhe que a Virgem Maria iria ter um filho, por obra do Espírito Santo, como Deus já havia avisado através do profeta Isaías (7:14) e ordenou que Lhe fosse dado o nome de "Jesus, nome que em hebraico significa Salvador, porque Ele salvará as pessoas de seus pecados." Os acontecimentos seguintes relatados pelo Evangelho, recordam a Virgem Maria ligada directamente aos factos da vida de seu Filho - Nosso Senhor Jesus Cristo. Os factos falam Dela aquando do nascimento de Cristo em Belém, depois na altura da circuncisão, das saudações dos reis magos, da apresentação no templo no 40o dia, da fuga para o Egipto, da residência em Nazaré, da viagem a Jerusalém na Páscoa, quando Cristo completou 12 anos e assim por diante. Estes factos não necessitam de maiores esclarecimentos. Porém é importante destacar que apesar do Evangelho citar a Virgem Maria sucintamente, estas referências demonstram com clareza aos leitores a grandeza da sua condição espiritual: a Sua modéstia e humildade, a Sua enorme Fé, paciência, coragem, aceitação da vontade de Deus e total entrega e dedicação a Seu Filho, Filho de Deus. Nós vemos portanto porque foi Ela, pelas palavras do Arcanjo, contemplada para adquirir a graça de Deus. O primeiro milagre realizado por Jesus Cristo, foi num casamento na Galileia, o qual nos dá com clareza a imagem da Virgem Maria como Defensora perante Seu Filho de todas as pessoas que se encontram em dificuldades. Percebendo a falta de vinho na festa de casamento, a Virgem Maria chama para este facto a atenção de Seu Filho e, apesar de Cristo lhe ter respondido como se se estivesse a esquivar: "O que diz isto respeito a Mim e a Você Mulher? Ainda não chegou a minha hora." Ela, sem se perturbar com esta meia resposta, estando confiante que o Filho não deixaria um pedido DEla sem atenção adequada, disse aos servos: "O que Ele lhes disser, façam!" Como é clara neste alerta aos servos a preocupada compaixão da Mãe de Cristo, para que o iniciado por Ela seja conduzido até um final feliz! De facto, o seu pedido não ficou sem ser atendido e Jesus Cristo realizou aqui seu primeiro milagre, tirando de uma situação constrangedora pessoas que não tinham muitas posses, após o que "acreditaram Nele seus discípulos" (João 2:11). Os factos seguintes narrados pelo Evangelho mostram-nos a Virgem Maria, permanentemente ansiosa por Seu Filho, acompanhando as Suas viagens e deslocações, próxima DEle em diversas circunstâncias difíceis e preocupada com as condições do seu repouso doméstico e paz, coisas que Ele nunca aceitava ou considerava como desnecessárias. Finalmente, vemo-La em pé e numa indescritível dor junto ao seu Filho crucificado, ouvindo as suas últimas palavras e pedidos (Cristo entregou-A ao seu discípulo preferido, para que cuidasse dEla). Nenhuma palavra de queixa ou desespero sai de Sua boca. Ela entrega tudo à vontade de Deus. Ainda de forma resumida fala-se sobre a Virgem Maria no livro dos Actos dos Apóstolos, quando sobre Ela e sobre os apóstolos no dia de Pentecostes pousa o Espírito Santo em forma de línguas de fogo. Após este facto, segundo a Tradição da igreja, Ela viveu mais 10 ou 20 anos. O apóstolo João, a pedido de Nosso Senhor Jesus Cristo, acolheu-A em sua casa com grande amor, como se fosse Sua mãe, e cuidou DEla até o Seu final. Quando a Fé cristã se espalhou por outros países, muitos cristãos vinham de países distantes para A ver e ouvir. Desta época em diante, a Sagrada Virgem Maria tornou-se para todos os discípulos de Cristo uma Mãe comum e um elevado exemplo de conduta a ser seguido.

O falecimento.

Certa vez, quando a Virgem Maria estava a rezar no monte Eleon, perto de Jerusalém, apareceu-lhe o Arcanjo Gabriel com um ramo de figueira em suas mãos e diz-Lhe que dali a 3 dias a Sua existência na Terra estará terminada e que Jesus Cristo virá buscá-la para a levar com Ele. Cristo fez tudo de maneira a que nessa época todos os apóstolos vindos de países diferentes estivessem todos em Jerusalém. No momento do seu final, uma luz intensa iluminou o quarto onde estava a Virgem Maria. Jesus Cristo, rodeado de Seus anjos surgiu e recebeu a Sua alma puríssima. Os apóstolos sepultaram o sagrado corpo da Virgem Maria, de acordo com a Sua vontade, ao pé da montanha Eleon, no Jardim Gethsemani, na mesma caverna-túmulo onde estavam sepultados os corpos de seus pais e também de José. Durante o funeral aconteceram muitos milagres. Apenas por tocarem o caixão da Virgem Maria, cegos começavam a ver, maus espíritos eram expulsos dos possuídos e todas as doenças curadas. Três dias após o funeral da Virgem Maria, chega a Jerusalém, atrasado, o apóstolo Tomé. Tomé estava muito triste porque não conseguira despedir-se da Mãe de Cristo e do fundo da alma desejava orar e prestar homenagens em seu túmulo. Quando abriram a caverna, onde a Virgem Maria havia sido sepultada, não encontraram o Seu corpo, somente os véus utilizados no funeral. Impressionados, os apóstolos voltaram para suas casas. À noite durante as suas orações eles ouviram anjos a cantar. Olhando para cima, os apóstolos viram no alto, no ar, a Virgem Maria cercada de anjos, iluminada por uma intensa luz celestial. Ela disse aos apóstolos: "Alegrem-se, Eu estou com vocês todos os dias!" Esta sua promessa de ajudar e defender os cristãos Ela mantém até os dias de hoje, assumindo-se como nossa Mãe celeste. Em virtude de seu imenso amor e ajuda poderosa, os cristãos desde épocas antigas consideram-Na e procuram-Na em busca de ajuda, chamando-A defensora incansável de todos os cristãos existentes, alegria de todos os que sofrem, Aquela que mesmo após a sua morte, nunca nos abandonará. Desde os tempos mais antigos, a exemplo do profeta Isaías e de sua parente Isabel, os cristãos passaram a chamá-la de Mãe de Cristo e Mãe de Deus. Esta denominação vem do facto de Ela ter dado vida e corpo Àquele Que sempre foi e sempre será o Deus Verdadeiro. A Sagrada Virgem Maria é por si só um grande exemplo para ser seguido por todos os que querem agradar a Deus. Ela foi a primeira quem se decidiu inteiramente a dedicar a sua vida a Deus. Ela demonstrou que a sua voluntária condição de Virgem está acima da vida em família e do casamento. Seguindo o seu exemplo, a partir dos primeiros séculos, muitos cristãos optaram por viver as suas vidas na castidade, virgindade, em orações, jejum e pensamento em Deus. Assim surgiu e se consagrou a prática dos conventos e mosteiros. Que pensar do mundo contemporâneo, que absolutamente não valoriza e até humilha a virtude da castidade, virgindade, esquecendo as palavras de Cristo: "Há eunucos que a si mesmo se fizeram eunucos por amor do reino dos céus. Quem pode compreender, compreenda!" (Mat.19:1-2) ?!. Resumindo este breve relato da vida terrena da Sagrada Virgem Maria, é necessário dizer que Ela, em Seu momento máximo de graça e alegria, quando foi escolhida para ser a Mãe do Salvador do mundo e também no momento da sua máxima dor aos pés da cruz (conforme profecia de Simeão "Seu coração foi dilacerado") demonstrou total autocontrole. Assim, Ela demonstrou toda a força e beleza de suas bençãos e graças: Fé inabalável, paciência, coragem, esperança em Deus e amor a Êle, aceitação. Por isso nós, cristãos ortodoxos, temos um imenso respeito, admiração e consideração por Ela e esforçamo-nos por imitá-La nos seus exemplos.

As aparições recentes
da Mãe de Deus

Desde os primeiros dias após o seu falecimento até aos dias de hoje que a Sagrada Virgem Maria ajuda aos cristãos. Prova disso são os seus inúmeros milagres e aparições. Vamos narrar alguns deles: O Dia da Protecção da Mãe de Cristo foi fixado como lembrança da visão que Santo André teve da Virgem Maria, cobrindo com o seu véu os cristãos no templo na cidade de Blachernae durante o ataque pelos inimigos a Constantinopla no século X. Às 4 horas da manhã Santo André viu uma impressionante e majestosa imagem da Virgem Maria, caminhando a partir do altar no templo, apoiada por São João Baptista e pelo apóstolo João com inúmeros outros Santos caminhando à sua frente e outros tantos seguindo-A, e cantando diversos hinos. Santo André aproximou-se de seu assistente Epifânio e perguntou-lhe se ele também estava a ver a Mãe de Cristo. "Vejo" - respondeu Epifânio. Enquanto eles olhavam Ela, ajoelhando-se no centro da igreja, rezou durante longo tempo, derramando muitas lágrimas. Depois Ela aproximou-se do altar e rezou pelos cristãos. No fim das Suas orações Ela tirou de sua cabeça o véu que A cobria, abriu-o e estendeu-o sobre todos os presentes. A cidade foi salva. Santo André era de origem eslava e o povo russo tem uma grande consideração por este feriado santo - o dia da Protecção da Virgem, em homenagem ao qual foram construídas muitas novas igrejas. Outros factos posteriores relativos a este tema das aparições da Mãe de Cristo, foram relatados principalmente pela imprensa internacional. A igreja ortodoxa russa ainda não se manifestou a este respeito e nós utilizamo-los como informação adicional: Desde 2 de Abril de 1968 e durante o período de um ano, a Virgem Maria, apareceu numa cidadezinha chamada Zetune, perto do Cairo, no Egipto, sobre um templo que lhe era dedicado. As suas aparições, que ocorriam entre meia-noite e cinco horas da manhã, atraiam uma imensa quantidade de fiéis. A Mãe de Jesus aparecia cercada de luz, às vezes intensa como o Sol e em volta voavam pombos. Rapidamente todo o país tomou conhecimento das aparições da Virgem Maria e o governo tomou providências para que as multidões que lá se juntavam tivessem um comportamento adequado. Sobre estas aparições, os jornais locais publicavam materiais em árabe. Devido a estas aparições foram realizadas inúmeras entrevistas à imprensa, onde as pessoas comentavam as suas impressões e o que tinham ouvido Dela. A Mãe de Cristo também apareceu a algumas pessoas individualmente nas redondezas do Cairo, por exemplo visitando o patriarca Copta, que até então duvidava da veracidade de suas aparições. Durante suas aparições aconteceram inúmeras curas, testemunhadas por médicos locais. O jornal Washington Post de 5 de Julho de 1986 menciona novas aparições da Mãe de Cristo sobre a igreja de Santa Damiana, no bairro de operários da cidade Terra Gulakia, ao norte do Cairo. A Virgem Maria segurava nos Seus braços o Menino Jesus e era acompanhada por vários santos, entre eles a Santa Damiana. Como nos anos anteriores, durante a aparição da Mãe de Cristo tiveram lugar numerosos milagres de cura de doenças incuráveis como por exemplo, cegueira, doenças nos rins, coração e outras. Na Páscoa em 1985, na cidade de Lvov, durante uma missa rezada pelo Metropolita João na catedral da Sagrada Mãe de Jesus, frente a uma enorme multidão de fiéis, subitamente através da fresta de uma das janelas surgiu uma nuvem, luminosa como um raio de Sol. A pouco e pouco esta nuvem foi tomando a forma de um ser humano e todos os presentes reconheceram nela a Mãe de Deus.

Em forte estado de graça e comoção, as pessoas começaram a orar em voz alta e implorar pela Sua ajuda. Os fiéis que estavam parados orando fora da igreja também viram naquela janela a imagem da Mãe de Cristo e queriam de qualquer maneira entrar na igreja e também passaram a rezar em voz alta. A multidão aumentava cada vez mais e mais, a notícia da aparição da Virgem espalhou-se com enorme rapidez. Todos os esforços da polícia local para dispersar os fiéis foram em vão. Começaram a afluir fiéis de Kiev, de Pochaev, Moscovo, Tbilissi e outras cidades. As autoridades de Lvov pediam a Moscou para enviar ajuda de militares e cientistas. Os cientistas entretanto chegados afirmavam que não existem milagres, para que as pessoas dispersassem. E subitamente, da imagem da Virgem soou uma voz dizendo: "Rezem, confessem seus pecados porque falta muito pouco tempo!.".. Durante a sua fala, a Virgem curou inúmeros inválidos e doentes. As aparições e as curas duraram 3 semanas e meia e Ela continuava a falar sobre a salvação das pessoas. Os fiéis não se afastavam nem de dia nem de noite.

Alguns dos ícones
milagrosos da Mãe de Jesus Cristo

O ícone da cidade de Vladimir - é um dos mais antigos ícones milagrosos da Mãe de Cristo. Em meados do século V este ícone foi transportado de Jerusalém para Constantinopla e no século XII foi enviado pelo patriarca da Igreja para a cidade de Kiev., para ser entregue ao Grande Duque Yuri Dolgoruki e colocado no mosteiro de Novodevichi na cidade de Vischgorod. Em 1155 o Grão Duque de Vischgorod, André, viajou para o norte, levando consigo o ícone milagroso da Virgem. Durante a viagem, eram celebradas missas de graças no caminho e aconteciam milagres. Nas margens do rio Klazmi, os cavalos usados no transporte do ícone teimavam em não sair do lugar em que estavam. O grão Duque baptizou este lugar de Bogoliubovo construiu aí 2 igrejas de pedra, numa das quais foi colocado o ícone. Em 1160, no dia 21 de Setembro, este ícone foi transportado para a cidade de Vladimir e colocado na igreja do mesmo nome. Desta data em diante, passou a chamar-se ícone da Nossa Senhora de Vladimir. Desde 1395 encontra-se em Moscovo, na catedral de Uspenskii, no lado esquerdo da entrada do altar. Este ícone tornou-se muito conhecido graças aos seus inúmeros milagres. À sua frente eram abençoados para assumirem o trono os czares russos e eram escolhidos os Metropolitas (os principais regentes da igreja). A data para a celebração deste ícone é 8 de Setembro e também 3 de Junho - (pelo novo calendário); por ocasião da defesa de Moscovo do ataque de tártaros vindos da Crimeia em 1521, o seu líder ficou aterrorizado pela visão miraculosa de um poderoso exército a postos para defender Moscovo do ataque. O ícone da Virgem Maria da cidade de Kazan. Em 1579, uma menina de 9 anos de idade, de nome Matrona, cuja casa paterna desaparecera durante um incêndio nesse mesmo ano, sonhou com a imagem da Mãe de Cristo e ouviu uma voz dizendo que ela deveria ir buscar este ícone, que se encontrava nos escombros da casa incendiada. O ícone foi encontrado embrulhado num tecido antigo debaixo do fogão da casa destruída. Estava enterrado, provavelmente desde a época do domínio dos tártaros na cidade de Kazan, quando os fiéis eram obrigados a esconder a sua fé. O santo ícone foi com júbilo transferido para a igreja mais próxima -a igreja de S. Nicolau., e posteriormente para a catedral da Anunciação (Blagovechenskii) onde se consagrou pela cura de cegos. Deste ícone foi feita uma cópia fiel e enviada ao czar Ivan IV (o Terrível). Em homenagem à aparição deste ícone foi fixada a data de 21 de Julho - pelo novo calendário para sua celebração. O ícone Korenaia, de Kursk.( o seu nome advém de ter sido encontrada ao pé da raiz de uma árvore). A 8 de Setembro de 1295, um caçador descobriu o ícone nas margens do rio Tuskari, na região de Kursk, no chão, ao lado da raiz de uma árvore.

Este caçador construiu uma pequena capelinha onde foi colocado o ícone, que começou a realizar milagres. Em 1383, os invasores tártaros vindos da Crimeia arrasaram a região e, com um machado ou espada cortaram e racharam o ícone em dois pedaços, deitaram-no fora em lugares diferentes e capturaram o padre Bogoliub que rezava missa na pequena capela. Resgatado por emissários do Grão Duque de Moscovo, o padre Bogoliub consegue localizar cada uma das metades do ícone e, assim que as encosta uma à outra, apercebe-se impressionado que o ícone se tornara milagrosamente uma única peça, como era originalmente, como se nada tivesse acontecido. Em 1597 o ícone é levado para Moscovo, a pedido do czar Feodor Ioanovich. Quando o ícone volta para a capela, é fundado um mosteiro, denominado Korennáia Pústinh. No tempo do czar Feodor Ioanovich, o ícone foi emoldurado em madeira de uma árvore chamada Kiparis. A moldura tem, entalhada, a imagem de Cristo na parte superior, e em cada uma das partes laterais, os profetas. Este ícone através de uma visão milagrosa salva a cidade de Kursk do ataque e domínio dos polacos, em 1612. Os moradores de Kursk, como expressão da sua gratidão, constróem o mosteiro de Znamenie, onde o ícone permanecia um determinado período anualmente, de 12 de Setembro até a sexta-feira da 9a. semana da Páscoa. O restante tempo o ícone ficava no mosteiro de Korennaia Pustinh. A 7 de Março de 1898 o ícone saiu intocado da explosão de uma bomba colocada ao pé dele na catedral do mosteiro de Znamenie. O ícone permaneceu totalmente ileso, apesar da destruição total em volta provocada pela bomba.

Durante a revolução o ícone foi roubado a 12 de Abril de 1918 e milagrosamente achado no fundo de um poço a 1 de Agosto. A imagem foi levada para fora da Rússia em 1920 pelo bispo Feofan Kurskii e permaneceu na Jugoslávia na igreja da Santíssima Trindade em Belgrado. Grande ajuda deu este ícone durante o período dos bombardeamentos sobre Belgrado durante a 2a guerra mundial. As casas para onde o ícone era levado nunca eram atingidas por bombas, embora tudo em volta fosse destruído. Actualmente o ícone encontra-se na catedral da Mãe de Cristo de Znamenie, em Nova Iorque. Periodicamente, este ícone é levado para veneração nos mais diversos templos da Igreja Ortodoxa Russa no Exterior. Os ícones da Virgem Maria que deitam lágrimas, que choram. Durante os últimos 100/150 anos surgiram diversos ícones da Mãe de Cristo que deitam lágrimas. Este milagre com certeza indica o sofrimento da Mãe de Cristo pelas pessoas em decorrência de catástrofes que se aproximam. No mês de Fevereiro de 1854, numa igreja ortodoxa na cidade de Sokol, junto a um mosteiro na Roménia, um dos ícones da Mãe de Cristo começou a deitar lágrimas. Este milagre coincidiu com a guerra na Crimeia, na Rússia. O milagre das lágrimas atraia diariamente milhares de fiéis peregrinos e acontecia todos os dias, algumas vezes de 2 em 2 ou de 3 em 3 dias. Em Março de 1960, na família ortodoxa grega Katsunis, residente em Long Island, no estado de Nova Iorque, EUA, começou a deitar lágrimas uma litografia de um ícone da Mãe de Cristo, denominado Nossa Senhora da Paixão (ou Romana). Na altura do transporte do ícone para a catedral grega de São Paulo, durante toda viagem voavam pombos brancos sobre o veículo. Graças à grande quantidade de lágrimas, o papel onde estava impresso o ícone, enrugou-se e encolheu totalmente. Algumas dessas lágrimas pareciam de sangue. Os fiéis encostavam pedaços de algodão ao ícone, que absorviam integralmente as lágrimas. Daí a pouco tempo, na residência de uma outra família grega ortodoxa, chamada Kulis, que morava perto da primeira família, uma litografia de um ícone da Virgem Maria de Iver, também começou a deitar lágrimas. Estes dois ícones atraiam a si uma imensa quantidade de pessoas rezando. Na imprensa internacional e local foram assinalados muitos milagres, com origem nestes ícones. Um destes ícones foi cedido para investigações cientificas, para determinar a origem das lágrimas. Cientistas da Universidade de British Columbia, testemunharam o facto, mas não conseguiram explicá-lo a luz da ciência. A 6 de Dezembro de l986, o ícone da Mãe de Cristo, colocado junto ao altar na igreja de S. Nicolau em Chicago, no Alabama, EUA., também começou a deitar lágrimas. Este milagre em algumas ocasiões chega a levar a esta igreja cerca de 5.000 pessoas que querem ver o ícone, pintado há 23 anos atrás por Konstantin Yousissom, em Manhattan, N.Y. Uma comissão especialmente organizada, atestou que "nenhum tipo de mistificação tem possibilidade de estar a ocorrer perante esta evidência." O ícone da Mãe de Cristo de Iver - que deita óleo / bálsamo. Um cristão ortodoxo de origem espanhola, José Muñoz, quando orava no Monte Athos, na Grécia, viu num mosteiro uma cópia do ícone da Mãe de Cristo de Iver e quis adquiri-lo. Numa primeira tentativa seu pedido foi rejeitado, mas depois inesperadamente o monge principal entregou-lhe em mãos o ícone, dizendo: "Leve-o, este ícone deve ir com você!" José trouxe o ícone para a cidade de Montreal, no Canadá, onde residia. A 24 de Novembro de 1982, às 3 horas da madrugada, o quarto de José foi invadido por um perfume intenso: na superficie do ícone brotavam gotas como orvalho de um milagroso óleo / bálsamo fortemente perfumado. O Arcebispo Vitaly do Canadá pediu que o ícone fosse trazido para a catedral. Posteriormente o ícone foi levado para outras igrejas ortodoxas. O óleo milagroso era aplicado nos fiéis pelos padres das igrejas onde eram rezadas as Liturgias. A placa de vidro que cobre o ícone era aberta para que todos pudessem constatar com seus próprios olhos o orvalho de bálsamo que se formava e escorria pela superfície do próprio ícone. Algumas vezes durante missas com grandes quantidades de pessoas, o bálsamo começava a formar-se também na superfície externa do vidro e em grande quantidade escorria directamente para o chão, invadindo o perfume toda a igreja. É importante referir que na sexta-feira da Paixão o bálsamo não aparecia, mas depois da Páscoa voltava a surgir novamente.

A partir deste ícone aconteceram muitos milagres e curas. O perfume do bálsamo varia de tempos em tempos, mas é sempre muito intenso e agradável. Quem duvida de milagres nos nossos tempos devia ver este ícone: O milagre é evidente e grande! Não temos condições aqui de enumerar todos os ícones milagrosos da Mãe de Cristo. Após a revolução na Rússia, uma quantidade imensa de ícones antiquíssimos começaram espontaneamente a renovar-se perante as pessoas: Estes ícones começavam a clarear num curtíssimo espaço de tempo, ficando com aspecto de novos, como se tivessem sido pintados recentemente. Exemplares assim existem aos milhares. Milagres e sinais não acontecem sem motivos. Sem dúvida, os inúmeros milagres contemporâneos e aparições da Mãe de Cristo têm como objectivo despertar nas pessoas a fé em Deus e o arrependimento pelos erros e pecados cometidos. Porém o mundo tornou-se surdo e insensível a tudo o que é espiritual. O mundo que virou as costas a Deus, está rapidamente a dirigir-se para a sua ruína. Nestes tempos das mais variadas catástrofes, de desaparecimento e queda de crenças e valores, é imprescindível lembrar da Nossa Mãe Celestial e nossa defensora perante o trono de Deus. Sagrada Mãe de Jesus Cristo, salve-nos!

Orações seleccionadas


Nossa abençoada Rainha, nossa esperança, Mãe de Jesus Cristo, refúgio dos órfãos e desabrigados, defensora dos perdidos e desorientados. Alegria dos que sofrem, defensora dos injustiçados, olhe a nossa dor. Veja as nossas perdas, ajude-nos na nossa impotência, oriente-nos que estamos sem rumo. Você sabe o que nos falta. Apoie-nos, alivie-nos como só Você pode e deseja. Porque não temos outra ajuda a não ser a Sua. Não temos outra que nos defenda. Proteja- nos acalme-nos, só Você ó Mãe de Jesus Cristo Nosso Salvador, proteja-nos, defenda-nos por todo o sempre. Amin.

Rejubila-te Maria, cheia de graça, o Senhor é contigo. Abençoada és Tu entre as mulheres, abençoado é o fruto de teu ventre, porque de Ti nasceu o Salvador de nossas almas!

Verdaeiramente e digno e justo que te bendigamos o Bem Aventurada Mae de Deus tu mais veneravel que os querubins e incomparavelmente mais gloriosa que os serafins deste a luz o Verbo de Deus conservando intacta a gloria da tua virgindade, nos te glorificamos oh Mae do nosso Deus.

Principais datas para celebração da Sagrada Virgem Maria, Mãe de Jesus Cristo (calendario da Igreja e calendario secular gregoriano, a data do calendario gregoriano corresponde a data correta no calendario da Santa Igreja):


Anunciação 7 de Abril calendário ortodoxo e 20 de abril calendário gregoriano.

Dormicao (morte) 28 de Agosto calendário ortodoxo e 10 de setembro no calendário gregoriano

Nascimento 21 de Setembro no calendário ortodoxo e 4 de outubro calendario gregoriano

Protecção 14 de Outubro no calendário ortodoxo e 27 de outubro no calendário gregoriano

Entrada no templo 4 de Dezembro no calendário ortodoxo e 17 de dezembro no calendário gregoriano.

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Mãe de Deus e Mãe da Igreja

Pe. Lev Lhébedev / Tradução: V.B.

A Santíssima Genitora de Deus é honrada pela Igreja Ortodoxa como Intercessora por todo gênero cristão. Somente a Ela nós recorremos com a prece - 'salve nos' ao passo que aos Santos restantes nós pedimos 'orem a Deus por nós'. Dos dois lados das Portas Régias, que simbolizam a entrada do Reino Celeste, em cada templo ortodoxo numa posição idêntica, situam-se as imagens do Salvador e da Mãe de Deus, - indicando e salientando, que o ingresso no Reino Celeste realiza-se somente por intermédio da Santíssima Virgem Maria. Também, demonstra-se que nada na Igreja realiza-se sem a Sua participação e intermediação, - do que são testemunhas os inúmeros cantos e orações da Igreja Ortodoxa. Surge a pergunta: por que tamanha significância e tal o Seu poder? Geralmente, presume-se que tudo isso provém dos traços pessoais Dela e também pelo fato de Deus ter escolhido-A para ser a Mãe do Seu Filho encarnado. É conhecido e amplamente interpretado o sentido das palavras do Salvador na Cruz, quando Ele perfilhou São João Evangelista à Sua Mãe. No entender da Igreja isso sempre significou a perfilhação de toda gente de Fé à Mãe de Deus. Agora a questão focaliza-se num determinado ponto exato, adquirindo uma nova nuança. Em que sentido deve ser compreendida esta perfilhação?

Metafórico-poético, figurado ou moral, - de um cunho ético? Ou então, no mais profundo - existencial? A resposta, irmãos e irmãs, é evidente - é só prestar atenção. Nós comungamos o Corpo e Sangue de Cristo, que provém do puríssimo sangue da Mãe do Senhor Jesus Cristo. Conseqüentemente, unindo-se no Sacramento da Eucaristia a Cristo, nós entramos numa certa união com a Mãe de Deus. Esta união não pode ser entendida a não ser como filial. Em outras palavras, no Sacramento da Comunhão, nós, - semelhantes a Cristo, tornamo-nos filhos da Mãe de Deus, e não em algum sentido figurado, alegórico, mas no sentido real - sacramental. Nós nos tornamos Seus filhos consanguíneos (pelo Sangue de Cristo). Eis um mistério da Ortodoxia. Nele as feições da Abençoadíssima pessoa da Sempre Virgem Maria comunicam-se necessariamente àquele que tem Fé sincera, - bem como à Igreja Ortodoxa inteira. Estamos portanto, com razão, concluíndo que Ela é a verdadeira Mãe de cada alma ortodoxa e Mãe da Igreja. Agora, então, tornam-se compreensíveis as palavras do Salvador sobre a perfilhação de São João Evangelista e na pessoa dele, de todos homens de Fé. O povo russo, desde o tempo imemorável, sentia a maternidade da Virgem Maria com relação à Igreja e por isso chamou-A, como no seio da família, chamam a própria mãe - pela palavra carinhosa - ´Mátushka.´

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Attikis, Greece
Sacerdote ortodoxo e busco interessados na Santa Fé, sem comprometimentos com as heresias colocadas por aqueles que não a compreendem perfeitamente ou o fazem com má intenção. Sou um sacerdote membro da Genuina Igreja Ortodoxa da Grecia, buscamos guardar a Santa Tradição e os Santos Canones inclusive dos Santos Concílios que anatematizam a mudança de calendário e aqueles que os seguem, como o Concílio de Nicéia que define o Menaion e o Pascalion e os Concílios Pan Ortodoxos de 1583, 1587, 1593 e 1848. Conheça a Santa Igreja neste humilde blog, mas rico no conteúdo do Magistério da Santa Igreja. "bem-aventurado sois quando vos insultarem e perseguirem e mentindo disserem todo gênero de calúnias contra vós por minha causa. Exultai e alegrai-vos pois será grande a vossa recompensa no Reino dos Céus." "Pregue a Verdade quer agrade quer desagrade. Se busca agradar a Deus és servo de Deus, mas se buscas agradar aos homens és servo dos homens." S. Paulo. padrepedroelucia@gmail.com